sábado, 27 de junho de 2015

"Passeio asfáltico pelo pinhal interior"

Já há um tempinho que andava com o olho numa seção de estradinhas, ali entre os vales do Estreito e Lisga.
Fiz um "boneco" e hoje, aproveitando a companhia do Álvaro Lourenço, fizemo-nos à estrada.
Eram 07h00, quando abandonamos a cidade pela Milhã e, pelo Salgueiro e Lameirinha chegamos ao Alto da Foz do Giraldo, onde paramos na fonte, para o Álvaro atestar bidons, pois eu ainda tinha água que chegasse à próxima fonte.
Viramos à esquerda e seguimos para o Estreito, com nova paragem no bar do supermercado Lapacheiro, para a matinal dose de cafeína.
A partir dali, parte do trajeto era desconhecida para os dois.
Começamos logo com uma bela rampa até ao alto do Moinho Ferreiro, descendo seguidamente para as Mougueiras de Cima.
Sempre num constante sobe e desce, fomos até às Mougueiras de Baixo, Ribeiro das Várzeas, Sertã Velha e Eirigo, antes de chegar à Roda, uma aldeia que me trás algumas recordações, de quando a minha "Maria" ali esteve colocada, como professora, há muitos e muitos anos atrás.
Ía levá-la e buscá-la no meu velho e saudoso Ford Taunus 17M, por aqueles poeirentos estradões em mau estado e agora bem asfaltados, como pude comprovar na minha voltinha asfáltica de hoje.
A subida à Lisga, com passagem no irregular empedrado do Caniçal, foi um pouco arfante e já com o calorzinho a querer fazer mossa.
Passada a Lisga e depois de algum sobe e desce, descemos em alta velocidade ao Pomar, onde tomamos o rumo às Sarzedas, com nova paragem na vila para uma bjeca fresquinha e na fonte à saída, para atestar bidons.
Sempre em andamento moderado lá fomos passando pelas localidades de Cabeço do Infante e Vilares para descer à medieval ponte sobre o rio Ocreza e enfrentar a última dificuldade do dia, com a subida à Taberna Seca
.
Ultrapassada aquela dificuldade, pedalamos até à cidade, já no nosso campo visual, onde chegamos pelas 12h30, com 107 kms pedalados por lindas estradinhas que cruzam a zona do pinhal, em bom estado e despejadas de trânsito, uma mais valia para este nosso salutar desporto.
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

"4º. Dia pelo GR.113. Chillarón del Rey-Fuentidueña de Tajo"

Chegou o quarto dia de travessia e com ele as grandes planícies.
Trilhos menos complicados e rolantes, bons para aumentar a quilometragem, e bem precisávamos, pois ainda nos faltavam 240 kms, para percorrer em dois dias até Toledo.
Levantamo-nos cedinho como habitualmente e depois da higiene da praxe e tratamento das bikes, recarregamos e fizemo-nos aos trilhos.
Abandonamos Chilarón del Rey pela "calle mayor" e tomamos o rumo à "Ermita de S. Roque", onde entramos num  single track que nos levou até à N-204, por onde continuámos durante algum tempo ladeando o "Embalse de Entrepeñas".
Cruzamos a barragem pela ponte do viaduto, para a outra margem, e seguimos por um caminho ainda a ladear aquela linga bacia hidrográfica até que numa viragem à direita, subimos por um estreito trilho que nos levou até Alocén, onde efetuamos a primeira paragem do dia para "desayunar" na bela "Plaza del Ayuntamento".
Já com a primeira refeição do dia "arrumadinha" continuamos a nossa aventura e, sempre por bonitos trilhos e explêndidas paisagens, onde o "Embalse de Entrepeñas" tinha uma situação priveligiada, com as suas águas de um azul turquesa que criavam uma panorâmica deveras brutal.
Chegamos ao Santuário da "Virgen del Madroñal", onde paramos um pouco para regalar as vistas  com aquelas paisagens magníficas e descansar um pouco, criando alento para vencer a subidinha seguinte, bem exigente, apesar de não ser muito longa.
Chegamos a Auñon e procuramos uma fonte para atestar bidons, mas antes, atestamos  o corpinho com uma magana de uma caña fresquinha, que nos revigorou para a fase seguinte.
Voltamos aos trilhos, percorrendo caminhos entre longas searas e algo rolantes, até que chegamos ao entroncamento para Sacedón.
Passamos pela velha ponte medieval e seguimos pela antiga estrada de Sacedón, esculpida na rocha e de uma beleza única.
Chegamos ao paredão da "Presa de Valdepeñas" e regressamos ao entroncamento de estradas, para continuarmos a seguir o caminho natural, pois Sacedón foi um desvio para apreciar aquele monumental recanto, sobre a velha estrada de Sacedon.
Entramos no "Valle de Valdepeñas" e num sobe e desce não muito acentuado, fomos ladeando o Rio Tejo, pela sua margem esquerda, até que chegamos a Sayatón.
Uns kms mais à frente passamos por Salto de Bolarque, uma antiga central elétrica, situada na confluência dos Rios Tejo e Guadiana.
Saimos de Salto de Bolarque, um bonito local e depois de ladear a Central Nuclear de Zorita, chegamos a "Zorita de los Canes ", uma pitoresca povoação banhada pelo Rio Tejo.
Ali procuramos comida sem sucesso, pois o único restaurante ali existente estava fechado. Nem um bar para uma bebida fresca.
Subimos, para sair da povoação e depois de passar pelo seu majestoso "Castillo Mozárabe", uma das mais belas e importantes "Alcazabas" das terras de Guadalajara, na Baixa Alcarria, paramos mais à frente, à sombra de uma velha oliveira, para comer uma barrinha e assim enganar o estômago até que conseguíssemos encontrar um sítio onde almoçar convenientemente.
Ladeamos as velhas ruinas visigodas de Recópolis e descemos ao asfalto.
Fomos acompanhando o Rio Tejo pela "Reserva Fluvial de Los Sotos del Rio" para lá mais à frente entrarmos numa zona de terras lavradas, até que o rio se transformou na "Presa de Almoguera".
A hora decente para adoçar já se estava a passar para o lado do lanche e o bom senso mandou-nos passar a ponte sobre o rio e o pontão da barragem e ir até Almoguera, a povoação mais próxima, a cerca de 3 kms e que não estava inicialmente na nossa rota.
Ali encontramos um recatado restaurante junto às bombas, onde nos sentamos plácidamente numa das mesas da esplanada, bem à sombrinha e onde degustamos um volumoso menú, enchendo bem a barriguinha.
Voltamos à ponte sobre o rio e paredão da barragem de Almoguera e continuamos ladeando o rio, passando por diversas estruturas hidráulicas, como  a antiga "Presa de Estremera" e a casa do "Conde de Cumbre Hermosa"
À passagem por "Rio Llano" demos com um pequeno bar junto à estrada, onde aproveitamos para nos saciarmos com mais umas "cañas" bem fresquinhas e atestar bidons.
Sempre a rolar bem, passamos ainda por "Requero de Brea", uma passagem pelo Rio Tejo, antes de entrarmos em Estremera, uma povoação onde equacionamos ficar e dar por terminada a etapa. Mas ainda faltavam muitos kms para o final e o dia seguinte e último desta aventura, seria certamente curto para cerca de 130 kms que anda faltavam para o final, pelo que resolvemos ir até Fuentidueña de Tajo , povoação seguinte.
Aceleramos o passo, ou melhor, rodamos mais os cranks, sempre que o terreno o permitia.
Já com o dia a chegar ao seu final, lá chegamos a Fuentidueña de Tajo, com 125 kms bem geridos, deixando para o dia seguinte os restantes 115 para a conquista de Toledo, onde daríamos por terminada esta fantástica aventura com alforges.
Depois de alguma pesquisa, lá encontramos um bom hostal junto ás bombas de combustível que ladeiam a A6 e onde fomos bem recebidos e posteriormente bem aconselhados, quanto ao local onde jantar.
E foi no restaurante das bombas que tomamos a última refeição do dia.
Depois de umas belas "cañas ", pré, durante e pós jantar, enquanto preparávamos a logística da derradeira etapa, foi hora do ó-ó, pois ainda nos faltavam 115 kms para dar descanso às nossas "burrinhas" e deixar o nosso corpinho entrar e modo relax, que bem precisava.
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

quarta-feira, 24 de junho de 2015

GR.113 - 3º Dia - Huertapelayo-Chillaron del Rey"

Depois de uma noite descansadinha, também graças à "bombona de vino" do amigo Bienvenido e da "tortilla e chouriçitas de Doña Celia", levantamo-nos "muy temprano" como sempre para preparar-mos as bikes e darmos início a mais uma etapa de plena aventura, agora em direção à magestosa Alcarria e seus profundos e férteis vales de beleza ímpar.
Abandonamos aquela pacata aldeia cruzando o "Arroyo de la Vega" dando início à longa subida, suavisada com a soberba paisagem sobre "Las Quebradas", uma visão única, magnífica e que nos foi dando alento neste início de etapa.
Como quem sobe, também desce, a regra manteve a tradição e, depois da subida veio a descida até Hundido de Armillones, onde seguimos por um single track até ás ruinas da "Puente del Pontón", onde paramos um pouco para descansar e dar uma mirada naquele bonito e inóspito local.
Quase sempre em single track, que na parte final se fundiu com o GR.10, chegamos a "Valtablado del Rio", uma povoação quase abandonada e cuja fonte na minuscula "plaza mayor" se encontrava seca.
Fomos recebidos por metade da população, um simpático casal de idosos, que nos informou de que não havia água na fonte e nos cedeu água fresquinha. Uma simpatia!
Deixamos a aldeia por asfalto e um par de kms mais à frente, depois de cruzar a ponte sobre o Rio Tejo, fletimos à esquerda para um estradão, que sempre em sentido ascendente los levou até "Oter".
"Oter" é outra pacata aldeia onde não se passa nada, nem uma fonte havia para atestar os bidons.
Valeu-nos a informação de um indivíduo que encontramos que nos disse que havia um pequeno bar comunitário e que batêssemos à porta.
Assim fizemos, mas nada. Entretanto lá apareceu o indivíduo que tomava conta do bar, vindo da horta no seu jipe e que se prontificou a abri-lo para que pudessemos beber algo fresco.
Aproveitamos e bebemos um par de "mahou's" bem fresquinhas.
Também nos disse que se quiséssemos esperar pela esposa, que esta nos arranjaria algo que comer.
Mas, agradecemos e declinámos o simpático convite. Contávamos ainda com o "bocadillo" da Dª. Célia e pretendíamos ganhar tempo e kms. E ainda bem que o fizémos, pois nem sabíamos o que nos esperava!
Abandonamos a aldeia por um bonito "sendero" para cerca de um quilómetro mais à frente nos depararmos com a agreste serrania que teríamos que atravessar e que pelo aspeto do trilho, nos levou logo a prever que não era muito ciclável.
Mandou o bom senso procurar uma boa sombra e atacar o "bocadillo" da Dª. Célia, o que fizemos de bom grado.
Já satisfeitos, iniciámos aquela duríssima travessia das serranias de "Oter", com a temperatura a situar-se na ordem dos 40/42 graus. Foi um verdadeiro teste à resistência e capacidade de sofrimento. É nestes momentos que temos a real perspectiva do nosso real valor. E isso, torna-nos mais fortes e mais humanos na avaliação do nosso semelhante.
Foram sete horas para percorrer 33 kms. Ufa!!!
Passada aquela dura adversidade, entramos num estradão que logo se transformou num bonito single track até "Carrascosa  de Tajo", onde paramos apenas para atestar bidons na fonte local.
Seguimos viagem, agora em direção a "Trillo" a povoação seguinte e onde pretendíamos almoçar.
Chegamos àquela bonita vila, por um soberbo single track, sempre ladeando o Rio Tejo.
"Trillo" é uma típica aldeia da Alcarria, banhada pelo ainda jovem e cristalino Rio Tejo, onde a paisagem e o campesinato se reúnem num ambiente robusto e austero.
O Rio Cifuentes, afluente do Tejo, foi nosso companheiro, com o suave sussurro das suas águas que brotavam duma bonita cascata, a ladear a esplanada do restaurante onde "absorvemos" umas maravilhosas "aluvias con chouriço y unos filetes de ternera" acompanhados, como sempre" pelas amareladas "cañas".
Que local acolhedor, mesmo a jeito para uma retemperante  sestinha pós-almoço. Mas tal não era possível. Havia que continuar.
As maiores dificuldades já tinham ficado para trás, com a travessia das inóspitas e selvagens paragens do "Alto Tajo". Estávamos já a entrar na Alcarria. Mais branda e mais rolante.
Depois de uma breve subida, entramos num fantástico "sendero", onde a pedra se tornou rainha já na parte final e que nos conduziu pela meia encosta de uma zona escarpada com uma maravilhosa visão sobre o "Embalse de Valdepeñas", até que Chillarón del Rey começou a aparecer no nosso horizonte visual.
Era ali que tinhamos que arranjar alojamento, pois o dia caminhava rapidamente para o seu final e chegar à aldeia seguinte, já era um risco que não queríamos correr.
Na aldeia procuramos alojamento, pois sabíamos haver por ali uns alojamentos de top rural.
No único bar/restaurante da povoação indicaram-nos o André, depois de uma tentativa falhada com outra casa, por telefone.
Lá apareceu o André, um "pachorrento" indívíduo, quer na forma de falar, quer na forma de agir, mas que simpáticamente nos disponibilizou alojamento numa casa, só para nós e a preço bem acessível.
Depois do banhinho retemperador, fomos em busca da "comezaina" e demos bem conta do recado!
Comemos bem e bebemos ainda melhor. Mesmo o que precisavamos naquele momento, pois a dormidinha e o descanso já estavam afiançados. Venha de lá outro dia, duro ou não, que este já está no papo!
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC