sábado, 26 de julho de 2014

"Cornos do Diabo"

Já desde o ano passado que ando para realizar este percurso que desenhei, mas, por este ou por aquele motivo, ainda não tinha realizado.
Tenho de começar a despachar os "projetos" que tenho na gaveta, porque se estou à espera de melhor oportunidade, ou dos outros, fico na maioria das vezes a ver televisão no meu coçado sofá.
Desta vez tive a sorte de me calhar como companheiro de aventura, o meu amigo Dário, cuja filosofia, nesta "coisa" de dar ao pedal, é quase gémea, falta-lhe apenas o tempo que eu tenho disponível para estas "entradas" em terrenos agrestes, paisagens únicas e trilhos a desafiarem os nossos limites.
Nesta passada quinta feira, foi o dia escolhido para este fantástico dia.
Combinei encontro com o Dário pelas 06h30 e rumámos á lagoa Comprida, em plena Serra da Estrela.
O cenário não podia ser mais bonito para início de volta campestre.
Chegámos à zona de mercado junto ao paredão da barragem e estacionámos a minha fragonete. nem vivalma!
Preparámos as bicicletas e fizemo-nos aos trilhos.
Iniciámos o percurso pela levada de água que sai da barragem em direção à Casa Alta e logo depois, estávamos a cruzar a bonita Barragem do Covão do Forno, num bonito recanto, digno de postal.
descemos á câmara de carga da conduta e subimos à Lomba para visitarmos outra bonita bacia de água, desta vez a Charca dos Molinhos, qua passámos também pelo passadiço do paredão.
Mais uns trilhos ajeitados e ao chegar a alto, uma visão única com a Barragem do Lagoacho a nascer ante os nossos olhos. Simplesmente fabuloso!
Descemos ao passadiço daquela bonita bacia hidrográfica e continuámos pelo estradão do GR22 até à barragem do Vale do Rossim, também sem ver vivalma. Eramos os donos e senhores daqueles vales e cabeços. Que sensação!
Pedalámos ainda algum tempo pelo Vale do Rossim, que deixámos para ir ao encontro do Vale da Perdiz sempre em ligeira ascensão até ao Cerro do Covão da Costa e Cabeço da Carnazeda.
Agora em sentido descendente seguimos para o bonito pontão da Ribeira da Fervença e a partir daqui,
o terreno inclinou-se mais um pouco, em descida mais trialeira e com uma brutal visão sobre o Vale Glaciário do Covão do Urso.
Passámos depois a Várzea, onde tivemos o encontro com os primeiros habitantes da serra, um belo rebanho de cabras, que cruzaram o caminho à nossa passagem.
Chegámos ao Sabugueiro, por uma curta e arfante subida em empedrado e cruzámos as suas bonitas ruas, ainda despidas de gente.
Antes de cruzarmos a estrada principal que desce a Seia, abancámos numa daquelas lojas que tudo vendem, desde o casaco de peles à sandes mista de presunto e queijo.
Conhecemos o Sr Vitor que nos aviou uma fabulosa sandes, mista para mim e só de presunto para o Dário, em pão caseiro, como já à muito tempo que não comia. Qual Mondeguinho qual carapuça! Já comi nos dois lados e a minha escolha foi fácil. Sabugueiro! No estaminé do Ti Vitor, pois então!
Um par de jolas fresquinhas acompanharam este belo repasto e puseram-nos finos para o restante percurso. E que percurso. Se até aqui tinha sido fantástico, a partir daqui não consigo adjetivar. Até eu fiquei surpreendido, pela positiva. Que trilhos!!!
Descemos à levada e acompanhado o bonito Rio Alva, seguimos a sua margem esquerda até ao Poço Negro e CHE do Sabugueiro.
sempre em single track, fomos descendo até á central do Desterro, onde entrámos na sua frondosa mata, rasgada de trilhos de encantar. Parecia termos entrado na Amazónia. Fabuloso!
Por ali nos entretivemos um pouco, à laia de turista, pois o encanto do local não nos deixava sair dali.
Acabámos por ir até ao castiço singular restaurante "Margarida" para nos refrescarmos com mais uma bjeca.
O sol radioso do alto do Sabugueiro, transformou-se em ténue neblina, que transformava o nosso passeio em algo quase surreal, consoante nos íamos embrenhando no famoso trilho dos Cornos do Diabo.
A primeira parte, logo à saída do restaurante, seguiu paralela à levada de água até ao cabeço do Castro.
A partir daqui, foi só adrenalina, pelo arrepiante trilho junto a uma antiga levada e zona escarpada, onde cair estava completamente fora de questão. Um espetáculo brutal e adrenalina a rodos!
A chegada aquele local único foi espantosa. "Cornos do Diabo” é o sugestivo nome do curioso rochedo localizado junto às águas da ribeira da Caniça, naturalmente ornamentado, mas que quase parece ter sido esculpido por mão humana. Tem quase seis metros de altura, em que no topo, devido à erosão, tem duas pontas em pedra aguçadas, semelhantes a uns cornos.
O local não tem saída pelo que tivemos que voltar atrás. E ainda bem, pois iriamos percorrer de novo, parte daquele adrenalínico trilho.
Sensivelmente a meio virámos à esquerda e por uma brutal trialeira, maioritariamente em calçada romana, descemos à Ponte da Caniça, onde se situa a bonita Praia Fluvial da Lapa dos Dinheiros.
mais uma pequena visita aquele bonito local e subimos á aldeia da Lapa dos Dinheiros, que cruzámos para entrar depois noutro longo e brutal single track que nos levou até às Ramilas e Cabeço do Castro.
A partir daqui, apenas serra pura e dura.
Uma longa e desgastante subida de cerca de 25 kms  que nos foi desgastando pela Eira velha, Chão do Poço, Selada e Portela.
A chegada à Pedra da Vista, foi um momento de interregno e de algum descanso, enquanto descíamos até à estrada que vem de Vide em direção ao cruzamento da lagoa Comprida.
O sol escaldante voltou a fazer-nos companhia, enquanto íamos vencendo lentamente a subida até ao alto.
A vista sobre a lagoa comprida, foi uma lufada de alegria. Estávamos de regresso ao local de partida, mas . . . tinha ainda uma pequena surpresa!
Uma espetacular chegada pelo muro de uma levada de água e pelos paredões da barragem até chegarmos à fragonete, que na sua quietude nos aguardou pacientemente.
Voltámos a devolver-lhe as bikes e restante material, mudámos parcialmente de roupa e fomos até ao bar desfrutar do ambiente turístico que se vive naquela zona, ocupando a única mesa da esplanada, de vista privilegiada.
bebemos umas bjecas e voltamos a "roer" mais umas sandes serranas, aviadas em formato XXXL, que nos obrigaram a estar por ali bastante tempo. Era muita matéria prima, para tão pouco dente. Fenomenal. Que dia! Paisagens deslumbrantes, trilhos do melhor, companhia de exceção, um dia só para nós e as nossas biclas, que mais se pode desejar.
Assim foi mais um dia de volta vadia com a minha fiel santa, na companhia  do grande amigo Dário e a sua trek com visual de "vaca leiteira", que desfrutámos de forma lúdica e divertida.
 
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

Vídeo - parte 1
 



Vídeo parte 2

quarta-feira, 23 de julho de 2014

"Contornar a Serra da Gardunha"

Ontem foi dia de passeio asfáltico.
Como no passado domingo não conseguimos terminar a volta inicialmente prevista, derivado à chuva, fomos ontem contornar a bonita Serra da gardunha com as nossas asfálticas.
Juntei-me ao Jorge Palma, António Leandro, Vasco Soares e Nuno Antunes, pelas 07h00,na Rotunda da Racha e pouco depois fazíamo-nos à estrada em direção a Cafede.
à saída da povoação fletimos sobre a esquerda e seguimos a estrada panorâmica até à Povoa de Rio de Moinhos e Barragem da Marateca.
A manhã já se assemelhava a um verdadeiro dia de verão e o calor já se fazia sentir.
Contornámos a Rotunda da Lardosa e seguimos pela N.18 para o Fundão, com passagem em Alpedrinha.
A paragem na pastelaria Arte & Tradição já se está mesmo a tornar tradição e o cafezinho matinal e o respeitinho bolinho, de fabrico próprio, manteve-nos por ali algum tempo, na degustação e na conversa.
Abandonámos depois o Fundão em direção ao Souto da Casa, e lá mais à frente, contornámos a rotunda e seguimos pela esquerda, pela outra vertente da serra, com passagem pelo Vale Mendinho e paragem no Vale de Urso, para atestar bidons e beber da água fresca que jorra em abundância do fontanário local.
A suave ascensão terminou pouco depois da passagem pelo cruzamento da Paradanta e, já em terreno mais plano, seguimos para o Casal da Fraga e São Vicente da Beira, onde efetuámos nova paragem na Pastelaria Amoroso, para mais uma bebida fresca.
Até ao Salgueiro do Campo foi sempre em pedalada redonda e sem complicações, com passagem pelas aldeias de Tinalhas, Freixial e Juncal do Campo.
Descemos ao Rio Ocreza e efetuamos a derradeira subida, antes de entrarmos na cidade com 104 kms, pedalados em excelente companhia, inserido num bom lote de amigos.
 
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

terça-feira, 22 de julho de 2014

Btt à moda antiga"

No passado domingo fui até à zona de Coimbra dar umas pedaladas campestres com rapaziada amiga, a convite do Nuno Seiça.
Saí de Castelo Branco pelas 06h00 e fui ter com o meu irmão Luís à Pastelaria Estrela Doce.
Tomámos o cafezinho e o pastelinho de nata e seguimos para a casa do Nuno Seiça, na  Zouparria do Campo, depois de passarmos Coimbra em direção à Figueira da Foz.
A chuva caia com alguma intensidade a partir de Pedrogão e já estava a ver a coisa preta. A chover daquela maneira iria ser complicado.
Mas ao passarmos Coimbra, o sol manifestou-se e proporcionou-nos um belo dia para as nossas ansiadas pedaladas.
O Nuno já aguardava a nossa chegada e depois dos cumprimentos da praxe, preparamos as bikes e fomos ao encontro do resto da malta.
Descemos a Castanheira e depois de passarmos S. João do Campo, encontramos o Sério, o Filipe, o André e o Marco que já vinham ao nosso encontro.
Mais uma sessão de olás, abraços, passabens e estás bom, dois dedos de conversa e uma ou outra laracha e apontámos o azimute aos trilhos.
E que trilhos! Começamos logo por um espetacular singletrack a ladear a ribeira de Ançã, que mais parecia a Floresta do Bornéu. lindíssimo e adrenalínico!
Chegámos à nascente da Ribeira da Ançã, um local muito bonito, onde a malta fez paragem obrigatória para uma pequena visita.
Abandonámos aquele belo espaço por um passadiço em madeira, ladeado pela ribeira, que aqui e ali formava pequenas cascatas, agora direcionados a Portunhos para mais uma bela série de singletracks de singular beleza e onde dá gosto pedalar.
Sempre por trilhos de inquietar os sentidos, passamos Vale da Naia, Pena e Povoa da Lomba, para mais uma sessão de carreirinhos ondulantes à laia de carrossel. Espetáculo!.
A rapaziada já queria bucha e depois de passarmos na zona do Zambujal, aparcámos as bikes à porta da Pastelaria Arca Doce, em Azarede para comermos umas belas sandes mistas e umas bebidinhas a acompanhar a coisa.
Aqui o Zé despediu-se da malta, com outros compromissos e nós, já mais aconchegadinhos, continuámos a divertir-nos por belos recantos ornamentados por espetaculares paisagens, passando por Bebedouro, Resgatados, Arroia, Canova, Netos, Lagoa das Queridas, e Lafrana, entrando depois na estradinhas da Mata Nacional das Dunas de Quiaios e depois de passarmos Camarção, Lagoa das Braças e Quiaios, chegámos à Praia de Quiaios, à casa do Marco, onde a malta se entreteve a dar uns belos mergulhos na piscina, em diversão total.
Ninguém queria sair dali, mas tínhamos que continuar, pois o almocinho esperava-nos na casa do Filipe, em Buarcos.
Se até aqui, tinha sido gozo total, daqui para a frente iria ser um pouco diferente, mas apenas no tipo de terreno, pois o gozo, esse, era para continuar.
Embrenhámo-nos pela bonita Serra da Boa Viagem em direção ao fantástico Miradouro da Bandeira de onde se pode desfrutar de uma panorâmica magnífica do casario da cidade, das Dunas da Mata de Quiaios e de toda a zona costeira até à Praia da Tocha.
É uma serra de mil encantos, onde ainda quero voltar para um bom par de pedaladas!
Começámos por um trilho muito lamacento, até que numa viragem à direita entrámos num espetacular trilho em sentido ascendente e de considerável inclinação, muito pedregoso e de difícil progressão.
Era impossível fazê-lo na sua totalidade, pelo menos a parte final, onde até a empurrar a bike não era pera doce.
Chegamos ao miradouro e o que vimos foi deveras espetacular e único, pelo menos para mim, que adoro uma boa panorâmica e aquela, deixou-me mesmo algum tempo a olhar aquela espetacular beleza, numa mistura de mar e terra.
Se até ali, a ascensão tinha feito correr algum suor. pedalar pelos caminhos da mata foi deveras bonito, mas a cereja no topo do bolo foi a adrenalínica descida a Buarcos, por um trilho bastante trialeiro, que até me deixou a bater com os joelhos um no outro. Quero mais!!!
Em Buarcos, na casa do Filipe, esperava-nos 3 kg de camarão "granjola", uns franguitos, umas costelitas de entrecosto, uma gamela de arroz de feijão, uma catrefada de minis e umas garrafitas de Pegões fresquinhas, que puseram a malta de novo pronta para mais uma sessão.
Rematámos com um bolinho de chocolate e uns licores e depois de mais umas palhaçadas, seguimos para uma pastelaria no passeio marítimo para o cafezinho da praxe.
Com a rapaziada já bem alegre o comboio passou a ser uma alternativa para o regresso a Coimbra, mas não era para nós. Nós somos beteteiros de gema . . . daqueles, que se for necessário, até pedalamos descalços, pois então. Bora lá regressar!!!
Nos primeiros kms depois da "festança", custou um pouco a endireitar a "coisa", mas depois, foi sempre a dar gás, que o diga o Marco, que ainda andou uns kms com a "vela encharcada!, até ali para as bandas da Central Termoelétrica de Lares, mas a coisa lá desentupiu e ficou de novo a trabalhar com os dois cilindros!.
O regresso já foi feito maioritariamente por asfalto e depois de passarmos a Figueira da Foz, fomos cruzando várias povoações, como Vila Verde, Lares e Ereira.
Fomos ao encontro do Rio Mondego que fomos ladeando durante alguns kms, passando Montemor o Velho e pelo Centro de Alto Rendimento junto ao leito Padre Estevão Cabral.
Pelas belas estreitas estradinhas que rasgam o Vale do Mondego e arrozais de Tentúgal já íaos com o azimute virado à Zouparria, de onde tínhamos partido logo pela manhã.
Fizemos um desvio até a uma roulotte á entrada da aldeia da Pereira, para uma última bjeca e nos despedirmos do Marco e do Sergio que continuaram por outros horizontes, em direção a casa.
Eu o Nuno e o meu irmão Luís continuámos até á casa do Nuno, onde tínhamos a carrinha.
Depois das despedidas, ficou a promessa de novas aventuras, cá, lá, ou no caminho e regressámos com a barriguinha cheia de divertimento, na companhia de excelentes amigos, onde a paródia, a adrenalina proporcionada pelos magníficos trilhos por onde pedalamos, a amizade e o companheirismo, marcam as diferenças e nos impulsionam para que possamos aproveitar estes bons momentos, desfrutá-los, num bom ambiente de partilha e boa camaradagem.
Obrigado malta, por mais este dia pleno de aventura e divertimento. Até breve.
 
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC