quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"Do Rio Ocreza ao Rio Tejo"

Já há bastante tempo que andava para editar estes trilhos.
De cada vez que passava pela ponte nova sobre o Rio Ocreza e olhava aqueles trilhos à meia encosta sobre o rio, dizia para comigo mesmo . . . tenho que pedalar naqueles trilhos.
As paisagens que dali se poderiam desfrutar não deixariam dúvidas, quando à sua beleza!!!
Já desde o ano passado que andava a planear uns trilhos pela zona, mas deparava-me sempre com a possível dureza do percurso., até que . . . dureza, ou não dureza . . . vamos a isto!!!
Aproveitando a disponibilidade do meu amigo Dário Falcão, fomos à descoberta de novos trilhos e novas paisagens, prontos para desfrutar de mais uma volta vadia, em busca de aventura e evasão.
A viatura do Dário levou-nos até ao Perdigão, onde demos início a este "brutal" percurso.
Pelas 08h estávamos no Café/Padaria do Perdigão a bebericar o cafezinho matinal, para abrir um pouco mais a pestana e dar um pouco de pica para iniciarmos a nossa aventura.
Cruzámos a aldeia e seguimos um par de centenas de metros pela estrada que segue para o Marmelal, virando seguidamente à direita, pedalando algum tempo pelo estradão que segue paralelo ao novo troço do IC8.
Andámos um pouco "à nora" em busca do trilho certo para passar sob o IC8, pois o trilho do GPS já "fora", tinha desaparecido com a construção da via.
Por ali andámos um pouco, para baixo e para cima, agora com o gps cerebral ligado e lá acabámos por encontrar o trilho certo. Problema resolvido!
Entrámos então naquele fantástico trilho que ladeia aquela serrania à meia encosta e que dava  acesso à azenha dos castelos, da qual apenas existem vestígios.
A envolvente paisagística é simplesmente fantástica.
Seguimos o trilho até contornar aquele cabeção, seguindo depois ladeando a Ribeira dos Castelos, bem profunda e que corria lá no fundo do penhasco.
Já à vista da Aldeia do Marmelal virámos à direita em direção à Aldeia do Montinho, que cruzámos e, por trilhos que nos encantavam, por ali deambulamos subindo e descendo cabeços, até chegarmos á proximidade da Aldeia de Vilar do Boi, onde não chegámos a entrar.
Voltámos aos vales profundos, pelas Escortes e Estrumezas, subindo depois ao VG da Cabeça tomando o rumo à bonita Aldeia da Carepa.
Passada a aldeia, tornámos a embrenhar-nos em vales profundos, num constante sobe e desce, até que parámos para desfrutar das magníficas paisagens geradas pela bacia da barragem da Pracana. Simplesmente brutal!
Descemos ao Rio e deparámos com um bonito e aprazível local, com mesas e assador, para desfrutar de um belo dia com a família. Pena só ter acesso através de veículos todo o terreno.
Toda aquela envolvência era simplesmente idílica. Custou sair dali. Se as máquinas fotográficas ainda fossem de rolo, teria que levar um saco deles certamente.
Se a descida aquele bonito local foi demasiado fácil,  o mesmo não poderia dizer para dali sair.
Uma longa subida e com uma considerável inclinação, foi o que tivemos que enfrentar para chegar à cumeada.
Mas valeu bem a pena, pelos trilhos que fomos encontrar!
Em determinada altura descemos para um antigo lagar já em ruinas, que teria servido a Aldeia de Vermum e outras.
Que beleza! Ficámos um pouco pasmados com o local e como se não bastasse, o fantástico single track que nos conduziu à aldeia, fez-nos transpirar adrenalina.
Ao entrar na aldeia, a surpresa e a formosura daquele local mantinha-nos de olhos bem abertos.
A pequena Aldeia de Vermum é lindíssima! As sua casinhas peculiares, bem arranjadinhas dão um toque quase surreal, bem diferente do que estamos habituados a ver. Fez-me voltar aos tempos antigos de ambiente de aldeia. Vale mesmo a pena visitar aquele povoado bem castiço..
Voltámos a sair da aldeia, ainda em single track e fomos até à Aldeia do Juncal e depois de subir até à velha IP2, passámos sob a A23, para nos lançarmos numa verdadeira aventura por trilhos sem qualquer vestígio de serem trilhados, pelo que quer que fosse.
Longas e algo abruptas descidas e umas boas subidas para o arfanço, puseram-nos esganados de fome e já a pensar na bela comidinha no Fratel.
Chegámos à estrada que vem do Fratel e segue até à estação dos Caminhos de Ferro, na zona da Horta da Colcheira, por onde seguimos duas centenas de metros ao encontro dos trilhos da Préhistória que nos levaram finalmente à Vila do Fratel.
Acabámos por "abancar" no modesto Restaurante J.J., onde devorámos umas suculentas bifanas em pão caseiro, acompanhadas da bela "jola", terminando com uma saborosa tijelada, complementada com um bom cafezinho.
Só faltou a "sestinha" de um parzinho de horas. Mas tínhamos que regressar e ainda faltava um espetacular local para visitar, também ele idílico.
Ladeámos a IP2 até às proximidades do Vale da Bezerra e lançámo-nos numa adrenalínica descida até à Ribeira das Ferrarias.
Ali parámos, pois aquele bonito local assim o exigia e a pequena e bonita cascata, quase sussurrava a pedir-nos um clic das nossas digitais.
A subida às Vilas Ruivas foi feita por um belo trilho que dava acesso ao velho e abandonado lagar, também ele em ruínas, um pouco abaixo da cascata, onde a montante cruzámos a ribeira.
Entrámos na aldeia, também por um bonito single track e descemos ao Rio Tejo, com paragens constantes para apreciar toda aquela envolvente paisagística.
Estávamos encantados com o local.
A Serra do Penedo Gordo com as suas rochas escarpadas, a altaneira atalaia do castelo do rei Wamba, o ilhéu no Rio Tejo defronte do cais do Arneiro, ainda istmo, pois o caudal do rio ainda assim o permite.
As colossais Portas de Rodão vistas noutra perspetiva, obrigaram-nos a parar e apreciar aquele momento.
Mas, se apreciar aquela beleza foi fantástico, sair dali pelo espetacular single track do PR2 até á linha férrea, não o foi menos.
Voltámos às Vilas Ruivas por um largo estradão pelo Vale do Lameirão e começámos a subir a Serra do Penedo Gordo até quase às antenas. Uff!!! Que subida!!!
Descemos depois até ao Perdigão onde tínhamos deixado a viatura umas horas antes.
Meio empenados e com os rostos a mostrar claramente o divertimento que tinha sido estes fantásticos 62 kms de puro e duro btt, arrumámos finalmente as bikes e restante material e fomos até ao café despejar um par de bjecas fresquinhas e roer uns quantos amendoins.
Há dias em que vale a pena sair de casa. Este foi seguramente um deles e tão cedo não vou esquecer estes magníficos kms de btt, a sempre animada e excelente companhia do amigo Dário Falcão e, sobretudo, as arrebatadoras paisagens que pudemos desfrutar e os trilhos onde tivemos o privilégio de pedalar.
A próxima aventura será já no próximo mês de Novembro, logo que o tempo o permita e pelas adrenalínicas trialeiras da magnífica Sierra de Gata.

Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

"Natureza selvagem"

Não resisto a uma boa jornada de aventura e evasão.
A previsão para o passado domingo era animadora e com ela, a vontade de ir vadiar com a minha "santa" começou a tomar forma.
Tenho uns quantos trilhos em outras quantas zonas para editar, como costumo chamar-lhe.
Escolhi desta vez o bonito Alentejo e como local de partida e chegada, a belíssima vila de Castelo de Vide.
Convidei o meu irmão Luís para esta aventura e acabaram por se juntar a nós o Nuno Eusébio e o Zé Luís, que vieram animar e enriquecer ainda mais esta voltinha vadia.
O meu irmão foi diretamente da Sertã para Castelo de Vide e eu e o Zé Luís fomos na viatura do Nuno Eusébio.
Juntámo-nos na Pastelaria Sol Nascente e começámos a manhã com uns "kisses", pastel xxl tradicional de nata e gila, que acompanhámos com o cafezinho da praxe.
Preparámos as bikes e restante material e partimos à aventura, em busca de novos trilhos e outras paragens.
Saimos da vila por uma das suas estreitas ruelas e entrámos na estrada que segue para a Beirã, para umas centenas de metros mais à frente, num desvio à esquerda, entrarmos nos estradões panorâmicos que servem as inúmeras quintas da região.
Passámos o Moinho de Vento e Ribeiro da Goleiba e seguimos em direção ao Rio Sever, contornando o Cancho da Moita, Alto do Corregedor, Monte do Cadaval, Monte do Garriancho e Tapada Grande, entre outros.
Chegámos à Herdade da Meada e parámos junto ao seu enorme menir, considerado o maior da Península Ibérica, com os seus 7,5 metros e 18 toneladas de peso.
Ali tirámos uma foto de grupo, para mais tarde recordar e fizemos-nos de novo aos trilhos.
Depois de umas engraçadas pedaladas em zona de planície, encontrámos a Ribeira de Vide, seguindo-a, sempre junto à sua margem esquerda, até á sua foz, no internacional Rio Sever.
A paisagem foi mudando radicalmente, onde o único vestígio da civilização passou a ser uma extensa aramada que delimitava uma enorme reserva turística, junto às linhas de água por onde pedalávamos. As construções desapareceram, mesmo as de outrora e a única vida que por ali encontrámos foram duas manadas de veados, que nos encheram o olho. Como é diferente vê-los no seu estado selvagem. Espetacular.
A zona era essencialmente montanhosa e os trilhos, nas sua maioria sem vestígio de passagem de outros veículos, enchiam-nos a alma e davam-nos um prazer imenso por pedalarmos naquela zona tão inóspita.
Chegámos à foz da Ribeira de Vide e ali encontrámos um belo e aprazível recanto. Muito bonito.
Uma mesa ali foi construída com um pequeno assador de serventia foi o que encontrámos naquele paradisíaco local.
Talvez construído por caçadores ou pescadores, portugueses ou espanhóis, vá-se lá saber!
Absorvemos aquela energia selvagem enquanto "devorávamos" uma sandocha!"
Antes de continuarmos, o Nuno Eusébio teve de dar o seu mergulho em águas internacionais e relaxar os músculos para o restante percurso, que não se avizinhava nada fácil.
Já ladeando o Rio Sever, seguíamos agora o seu curso em direção à Barragem de Cedillo, a sua foz no Rio Tejo.
Com as últimas chuvadas os caudais dos rio e ribeiras aumentaram significativamente o seu volume.
O caudal do Rio Sever era um deles e cantava pelas rochas e açudes pelo seu curvilíneo percurso. Era magia para os nossos olhos e adrenalina para os nossos sentidos.
Por ali, nem vivalma. Nem um barulho que nos indicasse algo que se identificasse com a civilização.
Chegámos á foz da Ribeira de S. João e ali mudámos o nosso rumo, seguindo agora em sentido inverso, sempre ladeando esta bonita ribeira de volumoso caudal até á zona dos Barrinhos.
Durante o percurso já efetuado, encontrámos inúmeras ossadas de veados e o meu irmão e o Zé Luís, acabaram por trazer dois crânios com as respetivas hastes para recordação.
Como o Zé Luís não levava mochila, lá teve o meu irmão que vir carregado com uma carrada de "cornos" ajeitados de qualquer forma ao seu camelback.
Subimos ao VG do Malabrigo e descemos para a Quinta da Cerejeira.
Já com a serra onde se encontra disposta a Vila de Castelo de Vide a mostrar-se no horizonte e com o terreno a ficar mais plano, passámos ainda pelo Monte do Pomarinho, Monte da Sardinheira, Sanguinhal, Quarteleiros e Vale do Pereiro.
Já estávamos à entrada da Vila e faltva ainda a última dificuldade para terminarmos esta bonita aventura. A calçada medieval de acesso a um dos portais da muralha.
Não era nada fácil e sobretudo já com os kms e acumulado que trazíamos nas pernas.
No Brejo começámos a subir para a formosa vila culminando por uma espetacular calçada medieval e entrando na povoação por uma das sua portas ogivais descemos à praça principal por uma estreita ruela, cheia de encanto e beleza.
Depois de arrumar as bikes e restante material, voltámos à pastelaria Por do Sol, não para devorar novo Kisse, mas desta vez, optámos por uma suculenta sopa de legumes e um prego grelhado no pão, que acompanhámos com umas "jolas."
Assim terminou mais uma das minhas voltinhas vadias, desta vez acompanhado pelo meu irmão e amigos Zé Luís e Nuno Eusébio.
Foram 61 kms de belos trilhos, paisagens maravilhosas, locais idílicos num ambiente inóspito e natureza selvagem.
Depois das despedidas, o meu irmão regressou à Sertã e nós a Castelo Branco, deixando no ar a promessa de novas aventuras.
 
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

Clip de filme: